DELEGADO AFIRMA:
ESTATUTO NÃO DESARMOU OS BANDIDOS
A realização de blitze na área ainda não reduziu o índice de homicídios, mas resultou na retirada de várias armas das ruas.
Vinte e cinco armas de fogo foram apreendidas, nos últimos 30 dias, no Grande Bom Jardim. As armas - revólveres de calibres 38 e 32 - além de munição para revólver, fuzil e escopeta de calibre 12 foram apreendidas durante as blitze realizadas após a instalação do Território da Paz naquele bairro da Capital. "Para cada arma dessas houve uma prisão em flagrante e um procedimento instaurado por porte ilegal de arma de fogo. Além disso, descobrimos que algumas delas foram utilizadas em homicídios ocorridos na área, anteriormente", destaca o delegado Jacob Stevenson, titular do 32º DP (Bom Jardim). De acordo com a Polícia, dos 57 homicídios registrados nos bairros Siqueira, Bom Jardim, Canindezinho, Granja Portugal e Granja Lisboa - que fazem parte da área do 32º DP - no período compreendido entre janeiro e abril de 2010, 50 foram praticados com armas de fogo.
As blitze têm sido realizadas três vezes por semana, pelas Polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Secretaria Executiva Regional 5, Juizado da Infância e da Juventude, Detran, Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e Secretaria do Meio-Ambiente e Controle Urbano (Seman). Em geral, as operações ocorrem à noite e se estendem até a madrugada. "Temos várias frentes de trabalho, com o foco principal na redução dos homicídios. Mas temos atuado bastante no desarmamento, combate ao tráfico de drogas, fiscalização de venda de bebidas alcoólicas a menores, poluição sonora, estabelecimentos que funcionam sem alvará", salienta.
As abordagens a suspeitos ocorrem em bares, festas, no meio da rua. "Temos feito abordagem das formas mais diversas, a pessoas a pé, de bicicleta, em motocicletas, dentro de veículos. Também são abordados suspeitos que estão nos estabelecimentos", conta Jacob.
Segundo ele, a delegacia do Bom Jardim recebeu um reforço de pessoal e viaturas para atuar mais ostensivamente no combate ao crime, já que os homicídios são o maior problema da área há bastante tempo.
Para o titular do 32º DP, as blitze têm um papel importante na intensificação da presença da polícia nas ruas. "A violência praticada com o uso da arma de fogo requer, para o seu combate, um conjunto de soluções que exigem a ação conjunta de diversos outros setores. Não existe uma receita única. Deve-se combinar a prevenção à repressão qualificada, é preciso conhecer as verdadeiras causas da violência, principalmente onde elas mais se concentram, qual o público mais atingido e em que circunstâncias elas acontecem. Para isso temos nosso banco de dados estatísticos, apontando localidades dentro do Bom Jardim como prioritárias".
Na avaliação de Jacob, o estabelecimento de uma lei nova, por si só, mesmo com penas duras e a criação de dificuldades para a aquisição de uma arma de fogo não é suficiente para conter o avanço dos crimes. "O Estatuto do Desarmamento não atingiu o objetivo de inibir nas pessoas a vontade de sair às ruas com armas sem registro ou mesmo sem o devido porte. As armas dos infratores contumazes não foram entregues. Estes, que têm a prática criminosa como profissão, não entregaram nem entregarão suas armas convencidos por leis, tampouco por campanhas de desarmamento voluntário. A Polícia é que tem que correr atrás dessas armas", destaca.

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