Armas, úteis ou não?
Armas, úteis ou não?
O assunto é mais explosivo do que uma discussão entre petistas e antipetistas. Já foi assim no plebiscito para proibição ou não da comercialização de armas, em um tom de agressividade inexplicavelmente desnecessário. E segue sendo assim.
Sempre fui um desarmamentista por princípio. Questão de personalidade e de formação, e cada um tem as suas. Porque, creio eu, é lá que devemos chegar, em uma situação avançada de convivência que dispense o uso de armas. Um tanto idealista, eu sei, mas por que deveriam restar proibidos os ideais? Aliás, ideais é para correr atrás…
Pois agora, por ocasião do sequestro-relâmpago de que fui vítima, há 10 dias, produziu-se o flagrante: um desarmamentista salvo por uma arma de fogo. É verdade, e reitero: não fossem os tiros disparados para cima por um vizinho do cenário onde a operação dos ladrões desembocou e talvez eu não estivesse aqui. Mas os tiros foram disparados para o alto, e tudo terminou razoavelmente bem, não fossem as sequelas de espírito.
Mantenho-me desarmamentista na tese, mas faço algumas correções de ênfase e de discurso. É preciso reconhecer bem claro: a posse responsável de uma arma também é útil à sociedade. Eu que o diga. Antes, subestimava essa evidência em nome da tese que defendia e sigo a defender. Aqui mudei, necessariamente. Apenas também será preciso reconhecer: a mesma posse que salva, como me salvou, também pode produzir tragédias domésticas ou ficar ao alcance de algum uso irresponsável ou destemperado. Então não é por aí o argumento, nem para um lado, nem para outro. A mesma arma que defende fabrica tragédias, e vice-versa.
O que deve justificar a posse responsável é a sua inegável utilidade na quadra da existência em que nos encontramos. É preciso não desprezar o estado de insegurança completa a que estamos submetidos, o que, a todo momento, estabelece as condições que justificam o emprego consciente e defensivo de um armamento. Como negar, portanto, a utilidade social da posse responsável de uma arma? Mas que nos esforcemos todos para superar esse estágio da convivência humana.
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