Você sabe quem sou eu?
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A prática do cavalete que privilegia Crédito: Arquivo JBO |
Não é justo nem cidadão que pessoas que não conseguem enxergar um palmo além do seu próprio umbigo, transformem espaços públicos em propriedade particular. Nos últimos meses prosperou em Ilhéus a prática de "cavaletes" em áreas de grande movimento para garantir a alguém algo que pertence a todos: o direito ao estacionamento público.
Dias atrás, a Prefeitura resolveu enfrentar o problema. No primeiro momento, com uma tentativa de conscientizar e pedir ao responsável que retirasse o equipamento do lugar que não lhe pertencia. De nada adiantou. Os "donos da rua" retiravam o "armengue" por um dia e, no outro, após esfriar a "perseguição", retornavam com o procedimento. Foi preciso, então, usar da autoridade.
A resistência, óbvio, veio em tom de arrogância. Bastou mexer no vespeiro para que houvesse ligações para prefeito, vereador, emissora de rádio e até para o Papa. Bastou mexer no vespeiro para que os responsáveis pela delicada ação tivessem que ouvir a famosa frase "vocês sabem com quem vocês estão mexendo?", comum numa cidade onde o coronelismo ainda tem raízes sólidas e argumentos frágeis.
Teve gente que se sentiu ofendida pelo fato de um cavalete retirado estar no local, à seu serviço, há mais de 10 anos. Ora, senhores. Não é tempo que define o que é legal ou não é. Pode ter 10, 20, 30 anos de história. Se é ilegal, que seja cumprida a lei. Cumprí-la nunca é tarde demais. Até para cidadãos que se gabam em pagar impostos, como se isso comprasse direitos enxergados somente à frente de um espelho.
Esta história dos cavaletes, que ganha indignação de poucos e aplausos da maioria, também nos revela uma sonhadora proposta de desenvolvimento urbano e de crescimento moral para Ilhéus: esta cidade só dará efetivamente certa, quando ela não pertencer a poucos e passar a ser de todos. E isso só é capaz de se colocar em prática, quando a lei puder ser, de fato, cumprida.
* Editorial JBO

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